Reportagem do R7, a partir da Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE, discute as taxas de acesso à escola. Em todos as etapas do ensino os pretos e os pardos tem menos oportunidade de concluir seus estudos, já que praticamente 100% das crianças estão matriculadas no primeiro ano do Ensino Fundamental.
Leiam a reportagem no seguinte link:
http://noticias.r7.com/vestibular-e-concursos/noticias/brancos-tem-mais-acesso-a-todos-os-niveis-de-educacao-20100927.html
Fiquem a vontade para postar um comentário abaixo.
Este é o blog da disciplina Introdução aos Estudos da Educação: enfoque histórico, oferecida na Faculdade de Educação (USP), Maurilane de Souza Biccas
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Propostas de Ação Coletiva - Unidade I
Proposta de Ação Coletiva – Unidade I
Autores
nome | nUSP |
Rodrigo | 5969195 |
Guilhermo | 5162928 |
Alex José | 6879908 |
Marcelo Rodrigues | 5186608 |
Tema
Como propiciar um desenvolvimento crítico dos alunos por meio de uma reformulação nas ações do professor. |
Introdução
· Sanar a visão crítica-social do aluno; · Baseado nas nossas experiências na área de educação, sentimos a necessidade de repensar a forma como o aluno está inserido no processo de ensino aprendizagem. Pretendemos que o aluno consiga desenvolver uma postura mais crítica, culminando em atuações mais representativas na inserção social. |
Objetivo
Incentivar que o aluno desenvolva um pensamento crítico em relação ao seu papel social. |
Estratégias
Trabalhar os conteúdos escolares contextualizando com a vivência dos alunos na sociedade, possibilitando que o aluno analise seu cotidiano de forma crítica a ponto de ter autonomia na atuação de seu papel na sociedade. |
Público-alvo
Alunos, professores |
Proposta de Ação Coletiva – Unidade I
Autores
nome | nUSP |
Cristiane Labre F. A. Roberto | |
Paulo José Cardoso de Souza | |
Stefani M Terocado | |
Tarley Ribeiro Montandon | |
Vilma Sayuri Chiren |
Tema
Flexibilização do Currículo Escolar |
Introdução
Alguns dos maiores problemas motivacionais hoje, é a falta de perpectiva e identificação do aluno com a escola, a proposta para solucionar esses problemas seria a inclusão de matérias optativas no currículo escola do Fund II Ensino Médio dando autonomia ao aluno de escolher uma ou mais áreas de interesse dando a oportunidade de se descobrir suas aptidões e com isso aumentar a sua participação no meio escolar. |
Objetivo
Adequar o currículo às expectativas e aptidões e aptidões do aluno de forma a aumentar a sua participação no meio escolar. |
Estratégias
Criar disciplinas optativas nas diversas áreas de aptidão; entre elas: artes, ciências ambientais, direitos civis... Adequar as disciplinas optativas, que são eletivas, à grade curricular do aluno, flexibilizando a carga horária de cada disciplina Trazer profissionais dessas áreas optativas, para ministrar as novas disciplinas. |
Público-alvo
Ensino Fundamental II e médio |
Proposta de Ação Coletiva – Unidade I
Autores
nome | nUSP |
Carlos Francisco Almeida da Silva | |
Edson Pedro da Silva | ` |
Juliana Clivatti Romitelli | |
Raquel Romão | |
Stephani Somekawa | |
Welinghton Fabrício |
Tema
Material Didático do ensino médio na rede estadual de ensino do Estado de São Paulo[1] |
Introdução
O governo do estado de São Paulo nos últimos anos tem distribuído apostilas entituladas “Caderno do Aluno” e “Caderno do Professor”. Por ser uma distribuição feita pela secretária Estadual de Ensino ela não leva em conta a avaliação e a escolha deste material pelos professores. |
Objetivo
O objetivo desta proposta é dar ao professor a oportunidade de avaliar e escolher a material utilizado de acordo com as características específicas da escola e de seus alunos. |
Estratégias
Uma maneira de resolver este problema é criar uma comissão de especialistas com experiência escolar e conhecimentos específicos nas disciplinas apresentadas nos “cadernos”, como é feito atualmente no Programa Nacional do Livro Didático. Além disso criar mecanismos e procedimentos para dar autonomia aos professores na escolha do material didático a ser utilizado na sala de aula. |
Público-alvo
Sendo o nosso público alvo os alunos do ensino médio do Estado de São Paulo |
Proposta de Ação Coletiva – Unidade I
Autores
nome | nUSP |
Carlos Alexandre de Souza | |
Jackson N. Santos | |
Regiane Sueko Nakamoto | |
Tema
A dificuldade do aluno na aprendizagem das disciplinas de exatas |
Introdução
É comum nós educadores de Exatas sentirmos a dificuldade e aceitação por parte da sociedade quando da introdução de algum tema relacionado a Exatas. Escutamos todo o tempo que estas matérias são chatas, difíceis, inúteis, etc... Como podemos convencer os alunos sobre a importância do ensino e desenvolvimento destas ciências? |
Objetivos
Discutir, desenvolver e pensar formas que tornem a aula mais produtiva e interessante aos alunos e quebrando este conceito de que o curso de exatas é aterrorizante e com efeito sonífero a quem está frente a frente com o professor. |
Estratégias
1. Uma das maneiras é conhecer o público em questão (alunos) e adaptar o estilo de aula aos ensinados 2. A partir do conhecimento dos alunos desenvolver princípios científicos de exatas 3. Proposta de montagem de instrumentos por parte dos alunos (gincanas, materiais dourados, jogos teatrais) 4. Busca constante dos educadores para melhorar o processo de ensino |
Público-alvo
Fundamental e médio |
Proposta de Ação Coletiva – Unidade I
Autores
nome | nUSP |
Felipe Pábio Frigeri | 5642659 |
Danilo Dacar | 6742833 |
Johnny M. Campos | 6432584 |
Camila A. Alda | 5642148 |
Ulisses A. Vale | 6432611 |
Mariana C. B. Silva | 6388032 |
Marcelo Patrício | 5642520 |
Tema
Criação de um espaço educativo cultural em presídios |
Introdução
Observou-se que além das tentativas utópicas de ressocialização baseados em premissas gerais do EJA muitos distantes da realidade em presídios, tanto o projeto pedagógico (à exemplo daquele apresentado pelo presídio de Tocantins) quanto os fins desejados pelos reclusos não se conversam e tampouco atingem um dos possíveis objetivos de formação cultural. Há, portanto, a necessidade de se prover um espaço de formação cultural que potencialize um aprendizado diversificado. |
Objetivo
Proporcionar um acesso à cultura geral, direcionando o contato com o conhecimento por parte dos reclusos para a cultura da sociedade que está imerso e também com aquela da sociedade em que deseja ser reinserido. Isto não apenas garante o acesso a um aprendizado indireto como também proporcionará benefícios futuros em uma possível formação profissional futura. |
Estratégias
Criação de um espaço cultural físico, contendo: biblioteca contendo livros, jornais, revistas, videoteca, cinemateca Oficinas Culturais com espaços para: atividades como palestras, rodas de leiuras, discussões, religião, ateliês |
Público-alvo
Comunidade Presidiária |
Proposta de Ação Coletiva – Unidade I
Autores
nome | nUSP |
Egyrella dos Anjos Firmo | 6875592 |
Ronan C. Petian Jr. | 6798871 |
Satiko Uehera | 2002976 |
Ronaldo Lima Cunha | 6475172 |
Julio Pacheco Carlstron | 6795499 |
Miguel f. De ortiz | 5895530 |
Jose Alex Alves | 5369145 |
Tema
“O inchaço escolar” |
Introdução
No Brasil temos uma deficiência de atualização do currículo escolar, assim incluir novas disciplinas como cultura afro-brasileira, cultura indígena, filosofia, sociologia, meio ambiente, regras de trânsito e direito das crianças e dos idosos, há uma dificuldade sem prejudicar o curriculo atual que também é necessário para a formação dos alunos |
Objetivo
Inegração social, formação sociocultural e diversificação do conteúdo |
Estratégias
Ampliar o cargo horária dos períodos de aulas Formação de novos docentes para lecionar novas disciplinas Construção de novas escolas vinculadas a este este modelo |
Público-alvo
Ensino fundamental e ensino médio |
Proposta de Ação Coletiva – Unidade I
Autores
nome | nUSP |
Daniel Mauro Justi | |
Fabio Moraes Gois | |
Gedsney Müller | |
Henrique Yukio Kurosaki | |
Natália Ravanelli Athayde |
Tema
Reestruturação do Currículo de Ciências Biológicas do Instituto de Biociências da USP |
Introdução
O currículo do curso de Ciências Biológicas possui atualmente um núcleo básico de 2 anos e um núcleo avançado de 3 anos previstos. A transição de uma para o outro e a escolha das matérias a serem cursadas fica completamente por conta dos alunos, sem aconselhamento/acompanhamento, e é feita independentemente do desempenho nas matérias. Esse método resulta em profissionais altamente especializados, mas sem uma visão ampla e abrangente das demais áreas da biologia, e por vezes frustrados, por conta da escolha precoce e não-aconselhada. |
Objetivo
Fundamentar e apoiar o aluno na escolha de sua área na transição de núcleos – e posteriormente. |
Estratégias
· Aumentar o núcleo básico para 3 anos; · Criar o acompanhamento dos alunos por uma equipe especializada em orientação e aconselhamento; · Atribuir ao currículo avançado a obrigatoriedade de cursar algumas disciplinas que vão além área de especialização |
Público-alvo
Alunos de graduação do curso de ciências biológicas |
Proposta de Ação Coletiva – Unidade I
Autores
nome | nUSP |
Carlos Eduardo Guarino da Silva | 5931596 |
Fernando Cardoso S. Santos | 7159181 |
Geovana Pazeto Dutra | 5640581 |
Tadeu Nestor Neto | 6432372 |
Tema
Desestímulo pelo aprendizado |
Introdução
Atualmente no sistema do Ensino Público Paulista, percebe-se a grande falta de interesse dos alunos em relação ao estudo. Pois, independente dele aplicar-se ao estudo ou não, o aluno sabe que será aprovado. |
Objetivo
Tornar o aprendizado em sala de aula mais estimulante. |
Estratégias
· Formação dos professores que englobe o uso de atividades lúdicas para além do material didático já existente; · Criação de grupos de discussão de professores para a troca de experiências metodológicas; · Aplicação de atividades lúdicas em sala de aula, de modo a tornar o aprendizado mais interessante e instrutivo. |
Público-alvo
alunos do Ensino Médio de Escola Pública em São Paulo |
[1] Esse PAC foi escrito como um texto dissertativo. A separação dos parágrafos, contudo, permitiu a adequação à tabela. Os parágrafos foram transcritos na íntegra.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
O inchaço do currículo escolar
Leiam o editorial que foi publicado no Estado de São Paulo, em 20/08/2010, "O inchaço do currículo escolar". Clique aqui.
Vale a pena ler também a resposta do prof. Amaury César, da FEUSP, publicada na seção de cartas do jornal. Clique aqui. (link arrumado)
O editorial diz que há escola e currículo sem posicionamento político e que as escolhas sobre quais conteúdos devem ser ensinados são puramente técnicos. Será? Deixem a opinião de vocês nos comentários.
Vale a pena ler também a resposta do prof. Amaury César, da FEUSP, publicada na seção de cartas do jornal. Clique aqui. (link arrumado)
O editorial diz que há escola e currículo sem posicionamento político e que as escolhas sobre quais conteúdos devem ser ensinados são puramente técnicos. Será? Deixem a opinião de vocês nos comentários.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Para ajudar entender o programa
O que é Proposta de Ação Coletiva?
É um exercício que será realizado em sala de aula, em grupo, onde os alunos deverão elaborar uma proposta de “ação” para pensar alternativas ou para resolver algum problema da educação brasileira definido a priori.
O que é Trabalho Coletivo?
Esta é uma atividade a ser realizada na sala de aula, em grupo, onde os alunos irão socializar as idéias interessantes sistematizadas a partir de um dos textos indicados na bibliografia de aprofundamento.
As idéias interessantes podem ser definidas pelo menos de duas maneiras: a) idéias centrais do texto; b) idéias elaboradas a partir da leitura do texto. Não é necessário resenhar e nem resumir o texto nesta modalidade.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Autobiografia Escolar
Pessoal,
Estou indexando o exerto abaixo para inspirá-los a elaborar a sua autobiografia escolar. Esta foi a primeira atividade realizada no curso, portanto, é importante que os alunos que não estiveram presente a realizem o mais rápido possível.
Um abraço,
Maurilane
Autobiografia
Eu era ainda criança e, sentada nos bancos escolares, ficava encantada com tudo que ali acontecia. A escola, um sobrado imponente no centro da cidade, era um lugar bonito e agradável, muito limpo, com cortinas nas janelas, salão nobre com piano de cauda e cadeiras almofadadas. O pátio onde formávamos a fila ao toque do sino e cantávamos antes de entrar para a classe era grande, coberto e cercado por gramados, espaço magnífico para as brincadeiras da hora do recreio. Os professores sempre entravam na sala com muitos livros e materiais, estavam sempre bem vestidos e de bom humor, eram verdadeiras “autoridades”, tinham prestígio social, eram respeitados e tudo o que ensinavam tinha um grande valor. Como aluna, conheci uma escola alegre, otimista, que me levava a crer no valor do conhecimento, do estudo, dos professores e vislumbrar um futuro seguro.
Naquele tempo, na pequena cidade do interior em que morava, a programação na televisão começava apenas no final da tarde, quando passava alguns desenhos e logo a seguir o noticiário e as novelas, as quais, nós crianças, não tínhamos permissão para assistir. Também não existiam computadores, vídeo games e toda essa parafernália eletrónica que ocupa as crianças de hoje do amanhecer ao anoitecer. Tínhamos um quintal e tempo para nele brincar. Passávamos quatro horas na escola e mais umas poucas horas com as lições de casa; o restante do dia era preenchido com brincadeiras, dentre as quais “brincar de escolinha” era muito freqüente. Nessa brincadeira, por ser a mais velha entre os irmãos e primos, eu sempre era a professora e apesar de gostar, nunca pensei seriamente em seguir essa profissão.
Já adulta e formada em psicologia, por várias circunstâncias acabei em uma sala de aula. Mesmo depois de ter iniciado na profissão, por algum tempo pensava que seria uma ocupação apensa temporária. Mas fui ficando, passei por escolas públicas e particulares e acabei tomando gosto. Porém, com o passar do tempo, a realidade foi se desvelando e agora, na cadeira da professora, as coisas pareciam diferentes; o encantamento que sempre a escola despertou em mim parecia em alguns momento não existir mais. Uma inquietude quanto à vida profissional e ao trabalho de professora foi se apoderando de mim. Ao fazer o planejamento, tudo parecia certo e ideal, mas ao executar esse mesmo plano junto aos alunos tinha às vezes a sensação de que estava tudo errado. Sentimentos contraditórios, relativos às práticas que adotava em sala de aula, ao tipo de relacionamento com os alunos e às burocracias do sistema escolar, passaram a ser constantes. A insatisfação com o trabalho docente foi se tornando maior e mais freqüente do que a satisfação.
(...)Diferentemente de outros profissionais que também guardam a lembrança da escola e de seus antigos professores, penso que as imagens que guardei da escola e dos meus professores tenha um sentido especial e, em certa medida, determinem minha prática docente. Ao passar para o “outro Lado”, ou seja, ao passar do banco de aluna para a cadeira da professora, essas imagens são responsáveis por expectativas e afloram em ações que, talvez deslocadas do espaço e do tempo atual, sejam responsáveis pela insatisfação com o trabalho docente. Ao dar uma aula, desde a preparação até o momento de estar diante da classe, uma série de concepções são colocadas em jogo e talvez sejam nessas concepções que se possa encontrar a raiz de alguns desencantamentos. (...)
A escola sempre foi vista por mim como um lugar de aprender, onde deveria ouvir os professores, prestar atenção no que diziam, estudar, e estudar muito para tirar notas boas. Essa visão foi sendo construída ao longo do tempo, não apenas através do contato e da vivência na escola, como também por meio de meu ambiente familiar, onde a educação sempre foi muito valorizada. Desde criança ouvi muitas e muitas vezes que o mais importante era estudar, conhecer, para ser independente e livre. A escola estava lá, imponente; os professores também, seguros e convictos de sua missão. E eu deveria assimilar tudo que ali fosse ensinado para me tornar “alguém na vida”. Todas as condições estavam postas, qualquer nota baixa, qualquer tropeço, qualquer fracasso, eu seria a única responsável.Mais tarde, já em outros tempos, quando a escola e os professores haviam perdido um pouco do fascínio e encantamento de outrora, eu me tornei professora. E essa visão de escola, formada na infância, passou a ter uma participação importante na construção de minha identidade profissional. Eu estava ali para ensinar e os alunos para aprender. Eu deveria dedicar-me e dar o melhor de mim e os alunos também. Tudo parecia muito simples. Quando eu era aluna, meus professores ministravam as aulas e falavam das coisas com uma convicção tão grande que a impressão que ficava é que aquilo poderia ser questionado. Pareciam verdades definitivas, o que proporcionava em nós, crianças e adolescentes daquele tempo, uma segurança muito grande. Depois que me tornei professora, no entanto, ao “ensinar” para os meus alunos, minhas dúvidas passaram a ser tantas, a convicção no que falava e no que fazia era tão frágil, tudo parecia tão efêmero, que o que era para ser simples acabou se tornando muito complexo.
A angústia e a insatisfação com o trabalho docente estavam constantemente presentes. Os alunos, por sua vez, também pareciam desencantados com a escola e demonstravam isso através do desinteresse. A maioria deles nunca lia o que eu indicava e isso me indignava. Não podia ser assim. Lembrava do meu tempo de aluna, que quando um professor indicava um livro ou sugeria qualquer atividade, aquilo era uma ordem que de modo algum poderia ser descumprida. Sempre ficava muito irritada com alunos que não tinham caderno, que não copiavam a matéria, que estavam na classe apenas de “corpo presente”. Tudo isso era ainda mais agravado pelo fato de eu estar dando aulas para o curso de Magistério, para futuros professores que, na minha opinião, deveriam ter determinados hábitos e muitos conhecimentos para serem bons professores. (...)
Flavinês Rebolo Lapso
Bueno, Belmira de Oliveira; Catani, Denice Barbara, Souza, Cynthia Pereira (Orgs.). A Vida e o Ofício dos Professores: formação contínua, autobiografia e pesquisa em colaboração. São Paulo/SP: Escrituras 1998.
Estou indexando o exerto abaixo para inspirá-los a elaborar a sua autobiografia escolar. Esta foi a primeira atividade realizada no curso, portanto, é importante que os alunos que não estiveram presente a realizem o mais rápido possível.
Um abraço,
Maurilane
Autobiografia
Eu era ainda criança e, sentada nos bancos escolares, ficava encantada com tudo que ali acontecia. A escola, um sobrado imponente no centro da cidade, era um lugar bonito e agradável, muito limpo, com cortinas nas janelas, salão nobre com piano de cauda e cadeiras almofadadas. O pátio onde formávamos a fila ao toque do sino e cantávamos antes de entrar para a classe era grande, coberto e cercado por gramados, espaço magnífico para as brincadeiras da hora do recreio. Os professores sempre entravam na sala com muitos livros e materiais, estavam sempre bem vestidos e de bom humor, eram verdadeiras “autoridades”, tinham prestígio social, eram respeitados e tudo o que ensinavam tinha um grande valor. Como aluna, conheci uma escola alegre, otimista, que me levava a crer no valor do conhecimento, do estudo, dos professores e vislumbrar um futuro seguro.
Naquele tempo, na pequena cidade do interior em que morava, a programação na televisão começava apenas no final da tarde, quando passava alguns desenhos e logo a seguir o noticiário e as novelas, as quais, nós crianças, não tínhamos permissão para assistir. Também não existiam computadores, vídeo games e toda essa parafernália eletrónica que ocupa as crianças de hoje do amanhecer ao anoitecer. Tínhamos um quintal e tempo para nele brincar. Passávamos quatro horas na escola e mais umas poucas horas com as lições de casa; o restante do dia era preenchido com brincadeiras, dentre as quais “brincar de escolinha” era muito freqüente. Nessa brincadeira, por ser a mais velha entre os irmãos e primos, eu sempre era a professora e apesar de gostar, nunca pensei seriamente em seguir essa profissão.
Já adulta e formada em psicologia, por várias circunstâncias acabei em uma sala de aula. Mesmo depois de ter iniciado na profissão, por algum tempo pensava que seria uma ocupação apensa temporária. Mas fui ficando, passei por escolas públicas e particulares e acabei tomando gosto. Porém, com o passar do tempo, a realidade foi se desvelando e agora, na cadeira da professora, as coisas pareciam diferentes; o encantamento que sempre a escola despertou em mim parecia em alguns momento não existir mais. Uma inquietude quanto à vida profissional e ao trabalho de professora foi se apoderando de mim. Ao fazer o planejamento, tudo parecia certo e ideal, mas ao executar esse mesmo plano junto aos alunos tinha às vezes a sensação de que estava tudo errado. Sentimentos contraditórios, relativos às práticas que adotava em sala de aula, ao tipo de relacionamento com os alunos e às burocracias do sistema escolar, passaram a ser constantes. A insatisfação com o trabalho docente foi se tornando maior e mais freqüente do que a satisfação.
(...)Diferentemente de outros profissionais que também guardam a lembrança da escola e de seus antigos professores, penso que as imagens que guardei da escola e dos meus professores tenha um sentido especial e, em certa medida, determinem minha prática docente. Ao passar para o “outro Lado”, ou seja, ao passar do banco de aluna para a cadeira da professora, essas imagens são responsáveis por expectativas e afloram em ações que, talvez deslocadas do espaço e do tempo atual, sejam responsáveis pela insatisfação com o trabalho docente. Ao dar uma aula, desde a preparação até o momento de estar diante da classe, uma série de concepções são colocadas em jogo e talvez sejam nessas concepções que se possa encontrar a raiz de alguns desencantamentos. (...)
A escola sempre foi vista por mim como um lugar de aprender, onde deveria ouvir os professores, prestar atenção no que diziam, estudar, e estudar muito para tirar notas boas. Essa visão foi sendo construída ao longo do tempo, não apenas através do contato e da vivência na escola, como também por meio de meu ambiente familiar, onde a educação sempre foi muito valorizada. Desde criança ouvi muitas e muitas vezes que o mais importante era estudar, conhecer, para ser independente e livre. A escola estava lá, imponente; os professores também, seguros e convictos de sua missão. E eu deveria assimilar tudo que ali fosse ensinado para me tornar “alguém na vida”. Todas as condições estavam postas, qualquer nota baixa, qualquer tropeço, qualquer fracasso, eu seria a única responsável.Mais tarde, já em outros tempos, quando a escola e os professores haviam perdido um pouco do fascínio e encantamento de outrora, eu me tornei professora. E essa visão de escola, formada na infância, passou a ter uma participação importante na construção de minha identidade profissional. Eu estava ali para ensinar e os alunos para aprender. Eu deveria dedicar-me e dar o melhor de mim e os alunos também. Tudo parecia muito simples. Quando eu era aluna, meus professores ministravam as aulas e falavam das coisas com uma convicção tão grande que a impressão que ficava é que aquilo poderia ser questionado. Pareciam verdades definitivas, o que proporcionava em nós, crianças e adolescentes daquele tempo, uma segurança muito grande. Depois que me tornei professora, no entanto, ao “ensinar” para os meus alunos, minhas dúvidas passaram a ser tantas, a convicção no que falava e no que fazia era tão frágil, tudo parecia tão efêmero, que o que era para ser simples acabou se tornando muito complexo.
A angústia e a insatisfação com o trabalho docente estavam constantemente presentes. Os alunos, por sua vez, também pareciam desencantados com a escola e demonstravam isso através do desinteresse. A maioria deles nunca lia o que eu indicava e isso me indignava. Não podia ser assim. Lembrava do meu tempo de aluna, que quando um professor indicava um livro ou sugeria qualquer atividade, aquilo era uma ordem que de modo algum poderia ser descumprida. Sempre ficava muito irritada com alunos que não tinham caderno, que não copiavam a matéria, que estavam na classe apenas de “corpo presente”. Tudo isso era ainda mais agravado pelo fato de eu estar dando aulas para o curso de Magistério, para futuros professores que, na minha opinião, deveriam ter determinados hábitos e muitos conhecimentos para serem bons professores. (...)
Flavinês Rebolo Lapso
Bueno, Belmira de Oliveira; Catani, Denice Barbara, Souza, Cynthia Pereira (Orgs.). A Vida e o Ofício dos Professores: formação contínua, autobiografia e pesquisa em colaboração. São Paulo/SP: Escrituras 1998.
Sistemática de Avaliação do Curso
A avaliação do curso ocorre a partir do desenvolvimento das atividades que são realizadas dentro e fora da sala de aula, algumas são individuais e outras são coletivas.
Cada trabalho individual vale 0,2 ( 11 X 0,2 = 2,2)
Cada participação em trabalho em grupo vale 0,3 (8 x 0,3 = 2,4).
O trabalho final será desenvolvido a partir da elaboração das propostas de ação produzidas pelos alunos durante o curso. É importante lembrar que um dos objetivos do curso é possibilitar que os alunos reflitam sobre os principais problemas educacionais brasileiros e que possam elaborar propostas de ação para enfrentar tais questões.
O trabalho final será a elaboração e o desenvolvimento de uma proposta de ação que deverá ser aplicada ou dialogada com pessoas do campo educacional (pais, professores, alunos, diretores, coordendores e etc.)
O trabalho escrito final e a participação do seminário valem 5,4.
Cada trabalho individual vale 0,2 ( 11 X 0,2 = 2,2)
Cada participação em trabalho em grupo vale 0,3 (8 x 0,3 = 2,4).
O trabalho final será desenvolvido a partir da elaboração das propostas de ação produzidas pelos alunos durante o curso. É importante lembrar que um dos objetivos do curso é possibilitar que os alunos reflitam sobre os principais problemas educacionais brasileiros e que possam elaborar propostas de ação para enfrentar tais questões.
O trabalho final será a elaboração e o desenvolvimento de uma proposta de ação que deverá ser aplicada ou dialogada com pessoas do campo educacional (pais, professores, alunos, diretores, coordendores e etc.)
O trabalho escrito final e a participação do seminário valem 5,4.
Proposta do Curso
O objetivo deste curso é conhecer e refletir sobre os principais temas em pauta na educação brasileira. O curso com ênfase em história abordará a educação na interface com outros campos, tais como: sociologia, psicologia e linguagem.
A proposta aqui delineada é construir um curso junto com os alunos a partir de seus interesses e necessidades para que possam atuar como profissionais da educação.
O curso contemplará o estudo de diversos temas, organizados a partir de três grandes unidades:
I - O lugar da escola na sociedade brasileira;
II - Os sujeitos da educação: professores e alunos;
III - A educação: métodos e as novas tecnologias.
As aulas serão desenvolvidas por meio de exposições dialogadas, elaboração de trabalhos individuais e coletivos, seminários, reflexão e debates de filmes, textos e das propostas elaboradas pelos próprios alunos.
A proposta aqui delineada é construir um curso junto com os alunos a partir de seus interesses e necessidades para que possam atuar como profissionais da educação.
O curso contemplará o estudo de diversos temas, organizados a partir de três grandes unidades:
I - O lugar da escola na sociedade brasileira;
II - Os sujeitos da educação: professores e alunos;
III - A educação: métodos e as novas tecnologias.
As aulas serão desenvolvidas por meio de exposições dialogadas, elaboração de trabalhos individuais e coletivos, seminários, reflexão e debates de filmes, textos e das propostas elaboradas pelos próprios alunos.
Assinar:
Postagens (Atom)